“Viúva Veneno”: uma lady killer brasileira

Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, Ed Gein. Diversos são os psicopatas que habitam a memória comum. Antes mesmo da ascensão de podcasts e documentários de true crime, tais figuras serviram de inspiração em produções artísticas, onde suas histórias e crimes serviram como base para filmes, seriados e quadrinhos. Mas e as psicopatas? Mulheres aparentemente ordinárias que foram capazes das mais hediondas atrocidades e que tiveram seus nomes praticamente esquecidos.  
 

No quadrinho Viúva Veneno, Germana Viana e Milena Azevedo tomam como inspiração crimes cometidos por lady killers — termo que define as mulheres assassinas em série — do Brasil e do mundo. A representação de todo o sangue frio e astúcia dessas mulheres é realizada através da figura da belorizontina Madeleine Maria da Silva, a Viúva Veneno, cuja vida de crimes é acompanhada juntamente à história do Brasil, do Estado Novo até os anos de chumbo.  
 

A personagem, pelo texto de Milena Azevedo, apresenta todas as características pelas quais psicopatas são conhecidas: a necessidade de atenção, a forma como manipula pessoas de forma sutil e as mentiras que soam tão fáceis. É possível perceber ainda porque tais crimes não eram sequer descobertos, sendo elas ainda mais maquiavélicas que homens assassinos.  
 

A expressividade dos traços de Germana Viana conta com o auxílio de cores. Em sua maior parte, a narrativa contrasta ao tom monocromático com o azul e o vermelho, acentuando os momentos de maldade e dissimulação da protagonista.  
 

A história desenvolve, em apenas 36 páginas, uma biografia fictícia de uma personagem que não somente é a costura de tantas mulheres assassinas, como ainda um exemplo claro do quanto as histórias dessas lady killers são tão (ou até mais) interessantes que dos mais famosos serial killers.
 


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Jornalista. Sonho em me tornar uma mistura de Lizzie Bennet e Tracy Whitney, tirando a parte fora da lei. Ler e escrever são o que mais gosto de fazer. Fico nervosa sem um livro na bolsa ou quando não acho caneta e papel quando a inspiração vem. Tenho sonhos a lá filme de Spielberg e ilusões amorosas por Mr. Darcy.