Resenha: Livro “O Mundo de Quatuorian”, de Cristina Pezel

26 de Janeiro de 2018 às 20:13 | Por

SINOPSE: Mais de mil anos os separam. Uma profecia os une. Uma revelação ocorrida há mil cento e onze anos pode ser a chave para impedir a deflagração do destino de Quatuorian. O segredo está guardado num templo deste mundo fantástico até um momento futuro em que a profecia anuncia o retorno do Imperador milenar.

O que está escrito no Códice dos Mestres é de importância vital para que Teriva, Vinich e Julenis salvem as quatro terras do mal que se instalou em Quatuorian. O pior, no entanto, ainda estaria por vir.

 

 

Um mundo fantástico que transborda criatividade

 

Cristina Pezel, em O Mundo de Quatuorian, não apenas cria uma história envolvente e criativa, como também um mundo que os leitores ficarão ansiosos por explorar.

 

A criação de Quatuorian se faz original. Todos os detalhes do mundo foram muito bem pensados para ter significado e lógica dentro do contexto apresentado. Passagem de tempo, criaturas, sistema de ensino e questões políticas, financeiras e sociais são próprios à esse mundo e apresentados de forma espontânea. Nada de apresentações em grandes diálogos. Vamos explorando Quatuorian com seus habitantes, a conhecendo conforme os eventos vão se desenrolando. Assim, quando ver, estará familiarizado com situações e termos.

 

Algo que também cabe de grande ajuda a isso é um mapa belissimamente desenhado, apresentado logo ao início da obra, facilitando a concepção do leitor da geografia deste mundo. E ainda um apêndice, que esclarecerá qualquer falha de memória quanto a nomes, títulos e definições, sem precisar voltar páginas.

 

A complexidade e rica construção de Quatuorion revela um cenário apto a habitar mais histórias que a linha narrativa apresentada e é isso que torcemos que aconteça.

 

 

Sendo o primeiro volume, foi necessário a apresentação não apenas do cenário onde ocorre a história, como ainda dos personagens. O livro mostra um grande leque de figuras com pouco ou muito desenvolvimento na trama. Alguns, dos quais a narração pouco explora, parecem promissores e isso faz com que queiramos conhecer mais deles. E mesmo os personagens cujo destaque e importância ficam claros, aparecem na trama ao seu próprio tempo.

 

Atrelado à história de Teriva, está a de Vinich, amigo de infância do rapaz e Julenis. Os três contam com um amadurecimento que ocorre de forma natural. Aos poucos, seus poderes e características são definidos. E a relevância de serem destaques ficando mais clara.

 

Há uma atmosfera de suspense que paira por toda a obra. Apesar de ter um ritmo enérgico, com diversos acontecimentos marcantes e reviravoltas, porém a maioria sem grandes proporções, alguns personagens apresentam suas intenções veladas quanta as atitudes tomadas e, assim, somos confrontados com a imprevisibilidade de seus atos. Até mesmo o vilão da história tem uma crescente, sendo desvendado pelos leitores gradualmente.

 

 

 

A escrita objetiva de Cristina Pezel aparece com um diferencial a maioria dos livros desse gênero. Apesar de bem descritiva, a autora mostra que o foco está bem claro e transcreve em capítulos curtos e dinâmicos, sem devaneios, a narrativa que deseja apresentar. Nada de encher história! Em 280 páginas fica explicito que tudo que é descrito na obra é fundamental e totalmente relevante aquilo que está sendo contado, assim, a leitura se dinamiza e flui muito bem.

 

A trama inicia ao nascimento de Teriva e acompanha o desenvolvimento dele até a juventude. A autora não se reprime quanto a uso de saltos na linha narrativa. Com isso, há passagens de tempo conforme a importância dos eventos para o enredo.

 

Apesar de, como já mencionado, este primeiro volume contar com poucos conflitos – o que é totalmente justificado quando se tem um mundo dessa dimensão para apresentar – é essa atmosfera que alerta sobre o perigo que está por vir, que é palpável e de certa forma angustiante, o que fará o leitor esperar pelo segundo livro. É claro, isso associado a todos os tópicos descritos aqui.

 

Em seu primeiro volume é possível sentir o Cheiro de Tempestade, pois ela se aproxima.

 

 

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Cristina Pezel, publicitária,  mora em Niterói-RJ. Escritora no gênero ficção científica, suspense e fantasia, é autora também de infantojuvenis. Conheça mais sobre a autora em www.cristinapezel.com.br

 

 

 

 

 

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Jornalista. Sonho em me tornar uma mistura de Lizzie Bennet e Tracy Whitney, tirando a parte fora da lei. Ler e escrever são o que mais gosto de fazer. Fico nervosa sem um livro na bolsa ou quando não acho caneta e papel quando a inspiração vem. Tenho sonhos a lá filme de Spielberg, ilusões amorosas por Mr. Darcy e obsessão por Harry Potter.