Daniel Esteves fala sobre criação da HQ “Bichos”

19 de Janeiro de 2018 às 19:37 | Por

Diversas situações e, em meio a isso, CÃES e GATOS! Bem resumidamente, está é a sinopse da HQ Bichos.

 

Dois pequenos contos em quadrinhos sem balões, roteirizados por Daniel Esteves e ilustrados por Al Stefano e Alex Rodrigues, discutindo sobre o abuso policial, censura, colonização e o choque de diferentes culturas. A edição da HQ, publicada pelo selo Zapata Edições, conta com duas capas e leitura Flip Flop.

 

Com tantas peculiaridades, resolvemos bater um papo rápido com Daniel Esteves para entender mais sobre a criação de Bichos (nos referimos a HQ, ok?).

 

Confira:

 

Como surgiu a ideia da HQ?

 

Diferente da maior parte das minhas publicações, essa HQ nasceu duma forma mais repentina. Após muito pensar em diversos projetos para o ano, abandonar todos eles, investi em algo totalmente diferente do que eu estava pensando até então.

 

Eu estava produzindo mais uma edição da minha série São Paulo dos Mortos, além de outra publicação com o desenhista Will (com quem fiz “O louco, a caixa e o homem” em 2011), mas ambas infelizmente ficaram para 2018. Outras histórias foram adiadas e percebi que precisava de uma história menor para lançar em 2017. Estava conversando com dois artistas para fazer essa publicação (Al Stefano e Alex Rodrigues). Essas questões e limitações me fizeram pensar em lançar uma revista com duas histórias curtas. Num lampejo veio essa imagem de fazer uma história com cães e outra com gatos. Mas até esse momento ainda não sabia sobre o que seria, apenas que teria uma HQ para cada um dos bichos.

 

Uma questão recente estava pairando na minha mente: a pressão de parcelas conservadoras da sociedade contra manifestações artísticas que de alguma forma tratavam sobre sexualidade, diversidade, inclusão. Com isso veio a ideia da história para o Cachorro, que ainda era bem diferente daquela que de fato escrita. Isso me fez perceber um mote para a revista: BICHOS ajudando pessoas oprimidas. Daí pra frente a produção fluiu de forma mais natural e sem sofrimentos.

 

 

Como foi a escolha de não usar balões?

 

A partir das premissas desenvolvidas escrevi dois roteiros, ainda com texto. Retirei o texto da história dos Gatos e achei que ela ficava bem interessante sem balões. Só que a história dos Cães era toda pautada em cima de diálogos, com um artista sendo interrogado, acusado por filmes polêmicos que ele fez no passado. Motivo pelo qual a história dos Cães mudou totalmente e veio a ideia do camelódromo.

 

É um desafio interessante fazer histórias sem balões, mas não acho que seja tão mais difícil do que escrever histórias com diálogos. São desafios diferentes. Ambos com suas vantagens e desvantagens. Duas partes ótimas de ser uma revista sem texto: não precisei fazer os balões (normalmente eu que letreiro minhas histórias) e não precisou de revisão.

 

A HQ retrata situações diversas. Um camelódromo de uma metrópole futurista sob mira de uma ação policial. Uma ilha no pacífico lidando com a invasão de colonizadores ingleses. Soldados e policiais oprimindo pessoas comuns. Como foi pensar situações tão diversas tendo como foco os animais?

 

Muitas das minhas HQs tem elementos políticos. Nessa revista veio de forma natural, quando comecei a explorar possibilidades de tramas. Com a do do Cão percebi esse direcionamento pra revista, como disse anteriormente. Daí foi pensar num outro cenário de opressão e de como os Gatos poderiam ajudar contra a injustiça.

 

As ambientações foram pinçadas de acordo com o tema de cada história e de acordo com o que eu vislumbrei como mais interessante para cada bicho. E então os artistas compuseram esses ambientes de forma fantástica. Ficou uma pulguinha atrás da orelha, pra produzir outras histórias nessa pegada, sob o título “BICHOS”. Mas são tantos projetos pela frente que não acho que isso aconteça tão cedo.

 

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Jornalista. Sonho em me tornar uma mistura de Lizzie Bennet e Tracy Whitney, tirando a parte fora da lei. Ler e escrever são o que mais gosto de fazer. Fico nervosa sem um livro na bolsa ou quando não acho caneta e papel quando a inspiração vem. Tenho sonhos a lá filme de Spielberg, ilusões amorosas por Mr. Darcy e obsessão por Harry Potter.