Resenha: Conto “Coqueluche” (Calendário de Histórias), de Douglas MCT

29 maio, 2017 às 18:40 | Por

As dificuldades de um texto curto são inúmeras: como narrativa corrida, pouco detalhada, sem um desfecho. Douglas MCT contorna todos esses obstáculos ao apresentar um conto acurado e rematado. Simples, mas com um peso que se vale pela familiaridade com o sentimento presente.

 

A saudade em “Coqueluche”, conto de janeiro da série “Calendário de Histórias”,  se expressa em um cena cotidiana. Uma cozinha, fazendo a especialidade do seu falecido pai, uma mulher se vê envolta em lembranças e lamúria. É palpável a desolação sentida e o nostalgia presente.

 

O prato em questão é eisbein (joelho de porco assado cozido ou frito), peça fundamental na trama, já que além do que ele representa para a mulher, todos os acontecimentos rodeiam ele.  Como ocorrerá a recepção do prato pela família que se encontra reunida na mesma casa, mas, ao mesmo tempo é descrita com uma distância melancólica?  O questionamento acontece pela decisão da mulher de realizar mudanças na comida – “colocar bacon” – , conhecida e prestigiada por todos ali como sendo o prato de seu pai .

 

O por quê da iguaria escolhida é primeiramente justificada no prefácio, onde o autor, além de dedicar o texto ao falecido pai, revela que este era seu prato predileto e que a história serviu como forma de demonstrar tudo que Douglas estava sentido pouco tempo depois do falecimento.  O conto reflete toda essa tristeza, contudo, ainda expressa uma ideia de superação no sentido de crescer com o ocorrido. Lembrar do tempero incomparável, mas saber que acrescentar um novo ingrediente não é desrespeitoso, é simplesmente a forma da vida continuar.

 

 

 

O projetoCalendário de Histórias” está disponível exclusivamente na Amazon. A cada mês é lançado um conto, dos mais variados gêneros. Confira “Coqueluche” – Janeiro

 

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Jornalista. Sonho em me tornar uma mistura de Lizzie Bennet e Tracy Whitney, tirando a parte fora da lei. Ler e escrever são o que mais gosto de fazer. Fico nervosa sem um livro na bolsa ou quando não acho caneta e papel quando a inspiração vem. Tenho sonhos a lá filme de Spielberg, ilusões amorosas por Mr. Darcy e obsessão por Harry Potter.