Resenha: HQ ‘Cadernos de Viagem’, de Laudo Ferreira

10 março, 2017 às 12:52 | Por

O roteirista André Diniz entrega, em seu instigante prefácio, que o que encontraremos nas próximas páginas é (e não é) qual a um pedaço de Laudo Ferreira, uma autobiografia e ficção ao mesmo tempo, uma história que se contempla de longe e se aproxima de forma a nos arrebatar.

 

Para começar, podemos explorar o significado do título o destrinchando. Caderno de Viagem é onde se realiza anotações sobre uma experiência vivida em algum lugar. Essa é a base da história e onde ela se desenvolve, através de um panorama sobre as vivências do protagonista desde a infância.  Na HQ, a palavra viagem do título ganha diversos significados no enredo: viagem ao passado e ao futuro , viagem para dentro de nós mesmos, viagem assim como um estado alucinógeno. Neste último caso, talvez uma breve explicação sobre o subtítulo seja precisa: “anotações e experiências do psiconauta”. Psiconauta, palavra que provém do grego, tem o significado literal como navegador da alma/mente, pessoa que usa os estados alterados de consciência, intencionalmente induzidos, para explorar a própria mente e encontrar respostas para questões espirituais através de experiências diretas.  É esse o ponto de partida da jornada espiritual e sensorial de Miguel.

 

 

O roteiro é simples e sincero, mas não deixa de ser ousado. Há algo mais ousado que a sinceridade? Com ela você se expõe, se desnuda de artimanhas e hipocrisias. E isto, discorrendo sobre assuntos complexos como a busca por aceitação, a influência das relações interpessoais no curso das nossas vidas e a forma como nossas experiências nos moldam é algo que demanda bastante bravura. E, parafraseando a obra, isto se vale porque “A experiência de viver é a maior de todas”.

 

 

Nos vemos imersos a um percurso de auto-conhecimento que nos prende ao levantar apontamentos tão verossímeis e de fácil identificação. Acabamos por ver Miguel, Laudo, familiares, amigos e até a nós mesmos caracterizados em tantas dúvidas, percalços e buscas. Com um bom ritmo, Laudo consegue, com o auxílio das cores vibrantes de Omar Viñole, nos dar um relato direto, completo e profundo da própria vida.

 

Jornalista. Sonho em me tornar uma mistura de Lizzie Bennet e Tracy Whitney, tirando a parte fora da lei. Ler e escrever são o que mais gosto de fazer. Fico nervosa sem um livro na bolsa ou quando não acho caneta e papel quando a inspiração vem. Tenho sonhos a lá filme de Spielberg, ilusões amorosas por Mr. Darcy e obsessão por Harry Potter.