Michelle Pereira revela detalhes de “Guardião do Medo”

3 de agosto de 2016 às 15:42 | Por

A música e a literatura em inumeráveis momentos já se interligaram. Em “Guardião do Medo”, estreia literária da escritora Michelle Pereira, encontramos mais um destes casos. Por conta de uma música, a inspiração surgiu e a ideia do enredo foi rascunhada, ainda de forma despretensiosa, ganhando forma com o passar dos anos.

 

Um paciente enfrentando uma terrível doença beira a morte. A aparição inesperada de uma misteriosa guardiã. Uma escolha a ser feita, viver imerso nos segredos e omissões da guardiã Raya ou ser inundado pelo poder extasiante do Inferno.  Uma certeza, Alexander é importante tanto para a Luz quanto para as Trevas.

 

Para contar mais detalhes sobre a criação de Guardião do Medo, a escritora conversou com o Mais QI Nerds. Onde ela revelou a pretensão de dar continuidade ao livro e ainda nos contou um segredo. Confira:

 

Descreva o livro em uma frase.

 

Guardião do Medo é uma história sobre acreditar em si mesmo sob qualquer influência; sobre as escolhas, certas ou erradas, que você precisa fazer ao longo de sua caminhada.

 

Como surgiu a ideia do livro?

 

A ideia surgiu do álbum conceitual, The Black Parade, da extinta banda de rock, My Chemical Romance. O paciente é o protagonista ali e, assim como Alexander, está internado em um hospital à espera da morte. Contudo, Alexander tem mais sorte, pois receberá a ajuda de uma Guardiã para se salvar (ou não). Fora The Black Parade, Guardião do Medo tomou sua verdadeira forma em 2013, quando decidi escrever um livro para meu TCC de Comunicação Visual no SENAI. Eu criei capa, diagramação, ilustrações, fotografias, selo editorial, embalagem, tudo! A história ganhou uma cara melhor, levando em consideração o antigo rascunho de 25 páginas.

 

O que mudou desde o primeiro rascunho até a publicação?

 

O primeiro rascunho tinha 25 páginas e era muito cru, cheio de erros de construção e com uma história muito bobinha. Nele, eu misturava um pouco do conceito de The Black Parade, com o conceito da música Demolition Lovers, também do My Chemical Romance. Então, em suma, Alexander era um cara com um passado obscuro, que estava morrendo e possuía a chance de se salvar, caso encontrasse e matasse dez homens maus antes de morrer. Porém, nessa história faltava um objetivo e um futuro mais palpável. E tinha pontas soltas para qualquer lugar que você olhasse, então a mudança era merecida. Na nova roupagem que a história ganhou em 2013, mais o upgrade que fiz em 2015, Alexander é mais adulto, tem fé em si mesmo e sabe que fez coisas ruins, sabe que o inferno o aguarda e que não pode mudar isso. Até encontrar Raya e ela lhe mostrar um novo caminho. Mas claro, se estou falando de uma história sobre acreditar em quem você é, Alexander não vai aceitar de primeira que um anjo como Raya existe e que ele pode se tornar melhor. Afinal, ele não está arrependido do que fez e sabe que não é uma boa pessoa. Mas, com tanta insistência, Raya pode conseguir alguma coisa dele… Alexander é especial. Porém, tudo pode ir por água abaixo quando ele começa a ser atormentado por pesadelos terríveis, e, ainda mais, quando ela tenta matá-lo.

 

Quais foram suas inspirações para a criação da história?

 

Como falei anteriormente, The Black Parade é a inspiração principal. O Paciente é um pouco do Alexander, embora eles sejam completamente diferentes. Mas, Guardião do Medo não é só isso! Tenho também algumas cenas inspiradas em Quentin Tarantino, com muito sangue rolando para tudo quanto é lado, e um pouco do drama dele também.

 

Fui influenciada, por outro lado, pelo meu escritor favorito, Neil Gaiman, então acho que pode haver algumas esquisitices próximas as dele, bem como de Stephen King.

 

E bom, não posso deixar de citar meu avô. Ele também tem sua parcela de inspiração em Guardião, já que, quando eu comecei a escrever, ele estava fazendo tratamento contra o câncer (Alexander está morrendo justamente por conta desta doença). Infelizmente o Sr. Getúlio não pôde ver Guardião do Medo publicado, mas tenho fé de que ele me apoiaria com um imenso sorriso no rosto.

 

A história é concluída ou apresentará uma continuação?

 

Guardião terá continuação, eu espero. Hahaha! Dependendo da aprovação do público, devo publicar mais um ou dois livros. A segunda parte da história já tomou forma na minha cabeça e preciso colocá-la no papel. Comecei a escrever, mas parei um pouco por conta do pouco tempo que tenho tido e de novos projetos que estão surgindo. Mas posso adiantar: em Guardião do Medo II (que provavelmente se chamará Filha de Daemon) teremos muito mais ação e aventura. Pretendo explorar mais o universo dos Guardiões da Criação e das Filhas de Daemon com a visão de mais de um narrador. Dessa maneira, espero ganhar mais dinamismo, já que no primeiro livro ficamos um pouco mais presos a perspectiva de Alexander e aos vislumbres de Raya.

 

Vou aproveitar e contar um segredo para vocês: pode ser que haja um conto em breve.

 

quotegardião

Jornalista. Sonho em me tornar uma mistura de Lizzie Bennet e Tracy Whitney, tirando a parte fora da lei. Ler e escrever são o que mais gosto de fazer. Fico nervosa sem um livro na bolsa ou quando não acho caneta e papel quando a inspiração vem. Tenho sonhos a lá filme de Spielberg, ilusões amorosas por Mr. Darcy e obsessão por Harry Potter.